quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sem título

Meus amores foram embora. Me deixaram, me levaram. O que fazer com esse corpo vazio que não pode se pôr em pé? Primeiro foi o Alfredo. Ah, o Alfredo, vinha me ver nas noites quentes de janeiro. Nas frias, ele ficava em casa cuidando da família: uma mulher e quatro filhos. Será que era só uma mulher? Nunca fiz muitas perguntas sobre o Alfredo. O que me interessava nesse homem encorpado e largo era o amor que fazia comigo... rápido e furtivo, com pressa de voltar para casa e fingir uma dor de cabeça causada pelo excesso de trabalho. Bom homem, o Alfredo... e sortuda, sua mulher; o Alfredo era devastador. Ainda guardo os colares tão falsos quanto o seu amor por mim. É essa a minha forma de reviver minhas paixões, e arder de saudade. Depois do Alfredo, veio o Joaquim, um nobre fazendeiro solitário. Queria encontrar uma madame para sua fazenda mediana, e viu em mim a delicada donzela que ele tanto procurou. Até que consegui fingir durante um tempo, mas percebi que não nasci para senhora, nasci para qualquer uma. Não demorou para o Joaquim me flagrar seduzindo seus peões.
Minha mãe me dizia: "Tu, Leilinha, quando ficar moça feita, vai se ajuntar com o primo Ariobaldo". Baixinho, magrela, alguns dentes em falta e nada atraente. Então fugi de casa, e perdi mais um amor: O amor dela. Não tardou para que eu não acreditasse em união: tratei de destruir as uniões alheias. Mas meus amores iam-se embora sem avisos, sem um beijo derradeiro, simplesmente não voltavam. Levavam um pedaço de mim, e assim eu ia me descompondo. Só me restavam as lembranças; essas, por sua vez, me esvaziavam mais e mais. Foi aí que eu conheci o Salomão. Ele era um vendedor forasteiro, alvo, bem apessoado, que logo caiu na graça das mocinhas espevitadas da cidade, mas só tinha uma pessoa sem vergonha de agarrar a chance: eu, a famosa Leilinha destruidora de lares. Não estava nos meus planos me render aos seus encantos, mas há coisas na vida que fogem do nosso controle. O Salomão viveu comigo pelo tempo que durou o seu negócio. Ao ir embora, levou o único amor que ainda restava em mim: o próprio. Agora estou aqui, de coração vazio, de peito vazio, alma vazia, sem forças nem para continuar escr


(Não está bom, mas ainda vou selecionar bons textos para pôr aqui!)

2 comentários:

Daniel de Alcaniz disse...

Eu logo vejo que não mereço seus elogios, Ju. Parabéns.

Mara Farias disse...

Que lindo Juju!
O é texto simples e sentimental!
Um xero

www.acaradapoesia.blogspot.com